Descrição

A América Latina, “de veias ainda abertas” (para lembrar do saudoso Eduardo Galeano), infelizmente ainda é um território de marcantes injustiças propiciadas pelo capitalismo dependente que cotidianamente teima em negar a vida para afirmar o inescrupuloso “mercado”. Não são poucas as causas (terra, guerra às drogas, injustiça de transição, corrupção do político e questões de raça, gênero e etnia, dentre outras) que fazem com que a justiça seja uma constrangedora ausência neste pedaço superexplorado do sul do mundo do qual a América Latina faz parte com toda a “exterioridade” de suas vítimas. Se a justiça não se afirma e, ao contrário, caracteriza-se pela injustiça como sua peremptória e dura negação, a esperança e a indignação de quem não aceita passivamente esta realidade precisa apostar fichas, ideais e sonhos desde algum lugar factível e existente que, a despeito dos seus limites, permita agir aqui e “agora”, inclusive para a “alargar o presente” (Boaventura de Sousa Santos). Transformar a realidade do mundo para afirmar o paradigma filosófico da vida concreta e dos direitos humanos não mais nos marcos da temporais modernidade ou pós-modernidade, mas na transmodernidade, não mais com a filosofia de centro mas com a filosofia construída desde a periferia (o pensamento descolonial e a filosofia da libertação, portanto), precisa ser um paradigma ético, político e também jurídico. Nesse contexto, acredita-se que a compreensão crítica e autêntica da democracia em perspectiva crítico-descolonial (para além da representação, com aposta na participação, na deliberação e sobretudo na radicalidade) pode ser um desses caminhos e alternativas, inclusive para repensar o lugar do próprio “direito”. Sabendo-se que não se faz filosofia crítica sem transição permanente do abstrato ao concreto e do simples ao complexo, parte-se de muitos lugares, em especial do potente pensamento de Enrique Dussel e da paradigmática e singular experiência zapatista mexicana como mediações que inspiram o anúncio do povo, da necessidade e da autodeterminação como categorias para a construção de uma necessária Justiça de Libertação. Acredita-se que é a partir dessas premissas que será possível projetar outras necessárias reflexões próprias aos duros tempos em que vivemos, inclusive permitir a (re) construção do denominado sistema de justiça. Vamos? ISBN 978-

Características

    • Ano 2019
    • Autor Márcio Soares Berclaz
    • Editora Editora D'Plácido
    • ISBN 9786580444380
    • Nº de Páginas 722

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